Às vezes o meu amor por ti não dá para evitar. Quando saio à rua, quando ando, quando corro, quando passeio, quando rio, quando choro, quando grito, quando abraço, quando amaço, quando falo, quando como, quando explico, quando ouço, quando digo, quando escrevo, quando faço, quando pinto, quando trespaço, quando dispo, quando visto, quando dormo, quando acordo, quando estudo, quando não estudo, quando respiro, quando inspiro, quando saio, quando entro, quando leio, quando escapo ou fujo não consigo evitar que o amor que tenho por ti saia de mim e percorra todos os caminhos e olhares do mundo.
Espero que entendas que amar-te sempre foi mais forte que eu. Que amar-te, com todas as perfeições e imperfeições, sempre foi mais forte que o próprio bater do meu coração e o coagular do meu sangue. Que nada, nada neste mundo, me fez subir aos mais altos níveis dos electrões mais excitados do núcleo do meu coração e que enquanto o meu olhar pestanejar e o meu sorriso palpitar nada será maior que isso. Do que aquilo que provocas ao ser que sou e aquilo que impuseste ao ser que eu não era. Espero que entendas, e eu sei que me lês e me percebes em todas as letras do calendário, mas quero que entendas que nada é mais forte que tu em mim. Fui feita para te amar? Somos aquilo que devíamos ser e aquilo que não devíamos ser. Aquilo que se criou e aquilo que era perigoso se criar. Aquilo que se ligou e aquilo que arranjou pilhas para não se desligar. Somos isso, e também somos ouro na prata e algodão no algodão, o mesmo e o nada, o diferente e o tudo. Trocadilhos certeiros, entendes? E isso jamais se irá perder das janelas do meu coração e do motivo da minha paixão.

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