domingo, 21 de novembro de 2010

tired

04:13h, 21/11/2010



Abro os olhos com esforço e, imediatamente, reconheço que não estou em casa. Analiso as duas pernas debaixo do tecido quente e aperto os olhos com dor. Estou cansada e detenho um sono maior do que eu. A claridade tardia trás consigo vozes conhecidas e eu, até ai feliz, abro muito os olhos para a janela ao meu lado e sinto o peito diminuir com a saudade. O tempo está a passar muito lentamente, e tu continuas igualzinho. Não existe vento que te leve e antes existe-se. E hoje estou mesmo cansada. Hoje estou cansada porque sou eu que não me consigo desligar de ti, porque as saudades estão a matar-me, porque o meu corpo (ás vezes) ainda te procura e deseja muito, porque o meu coração não sabe desligar-se de ti e antes o meu coração soubesse. Hoje largava tudo, largava tudo o que carrego e cometia uma loucura! Podia ser que o cansaço não me consumi-se o corpo e a alma. Hoje, podíamos fazer assim, encontrava-mo-nos, mas eu não digo quem sou e tu não dizes quem és. Vamos fazer assim mas não vamos contar a ninguém. Nem a nós próprios. Vamos apenas deliciar-nos com o momento. Não precisamos de saber quando medimos nem a roupa que trazemos, a luz tem que estar apagada. Não te esqueças que só podes vir tu.Tens de vir, podes até fingir que não sabes o meu nome e inventares um nome todo fofinho. Ah! Tens de dizer que mesmo no escuro estou linda, que um dia por muito tarde que seja me vais amar como eu hoje te amo a ti. Vamos fazer assim, eu arrumo o quarto mas não posso meter velas, ia estragar o nosso sítio. Tem que ser tudo como o teu amor é por mim. Mas vá, vamos fazer assim e depois vais embora. Mas não podemos contar a ninguém. Ninguém precisa de saber que dois conhecidos se vão desconhecer por uma noite. Ninguém precisa de saber que vai ser só uma noite. Nem nós. Espera, nós, (ou eu) até podemos acreditar que vão ser todas as noites. Que mesmo no escuro nos vamos reconhecer sempre. Vá, lembra-te que ao entrares não vale espreitar por a luz que vem de fora, vem já com os olhos fechados da rua e não estragues isto que é tão bom. Vamos fazer assim vens tu e não te esqueças que podes falar, podes comunicar comigo. Não é preciso desconhecermo-nos a 100%. Mas vamos é inventar uma regra, vamos mentir. Vamos dizer que somos solteiros temos 25 anos, temos emprego e vivemos sozinhos. Vamos mentir. Não vamos chorar nem tu me vais fazer chorar com a realidade. Depois vais-me mentir, agarrar-te a mim, fazer-me promessas, todas relacionadas com a mentira e o prazer, depois vamos falar, mas não de nós, porque não nos podemos conhecer de verdade. Vamos falar daquilo que queríamos ser e do mundo como gostaríamos que fosse. Não vale ligar os candeeiros. Depois, também podes deixar uma folha escrita, no escuro, para eu ficar a conhecer a forma das tuas mãos. Não deixes nada claro, não quero conhecer a tua mente.Não precisas de ligar aos teus pais e dizer que vais chegar atrasado e eu não preciso de ligar a ninguém também. Se for preciso mentir, mente. Mas não digas que vens aqui. A única coisa que sabes de mim é a minha morada. E não podes saber mais nada. Vá vamos fazer assim. Tu não me conheces, eu não te conheço. E depois, se, amanhã passar por ti na rua, vamo-nos cumprimentar e continuar a nossa vida.  Não precisamos de mentir um ao outro e dizer que o nosso amor pesa o mesmo na balança. Porque não pesa. O meu vai pesar sempre mais que o teu. Por isso na vida que nos conhecemos vamos fazer apenas isto, não vamos mentir. Vamos ser verdadeiros para que o sol que me ilumina de dia, - e não de noite quando os nossos corpos conhecidos se desconhecem, -me ilumine sempre. E eu nunca precisar de candeeiros acesos. Vá vamos fazer assim, mas shiu não contes a ninguém. Let's go!

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