quinta-feira, 6 de maio de 2010

tiro no escuro


Naquela noite, já entre os meus lençóis afoguei-me em lágrimas, já há muito que não me sentia assim. Lembro-me que a cada letra que escrevia as lágrimas pareciam multiplicar-se, corriam tão forte, não esperavam, não aguentavam, não conseguiam! Eram mais fortes que tudo, mais forte que qualquer base, que qualquer história. Era tão pequena, tão ingénua, tão sensível aquela pequena lágrima mas ao mesmo tempo se tornavam fogosas, velozes. Era o alivio do meu coração, a dor a sair cá para fora. Cada lágrima era uma letra de um pedaço de dor. Gritava, desesperava, chorava naquelas trevas. Estava só, não tive nenhum abraço nem o beijo na testa, ninguém me deu a mão. Então fiquei ali! Já sem forças para escrever um pequeno risco que fosse, tentei adormecer. Mas o esforço foi em vão! Lembro-me de como me agarrei á minha almofada, á minha companheira de todas as noites. Agarrei-me com toda a minha força como se me tivessem a arrancar o coração, como se te tivessem a levar ou até mesmo como se tivesses a ir embora. Foi sufocante, confesso! Nessa noite, foste um tiro no escuro.

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