«Diz-se que não há amor como o primeiro e é verdade. Pode haver amores maiores, amores melhores, amores mais bem pensados e apaixonadamente vividos, amores mais duradouros, amores mais lindos, tudo! Mas não há amor como o primeiro. É o único que estraga o coração e que o deixa estragado. »

Vou meter o meu melhor perfume antes de vestir a camisola para que se note. Assim que chegar ao carro, o Diogo vai notar e dizer que cheiro bem. O parvo do André nunca notava. Não vou pensar no André, não vou. Ele que se lixe e nem sequer me apareça à frente. Não vou pensar. O Diogo é que é, mais maduro, mais simpático e sempre pronto para correr atrás quando mais preciso. Estou pronta para voltar a encontrar o amor, ele apareceu mesmo na altura certa. Agora é que é, agora é que vai ser. Já nem sequer penso no André, esse estúpido. Vou jantar fora ao melhor restaurante de sempre, enquanto ele me mete um anel lindo no dedo. Vai oferecer-me flores e eu vou fazer planos para o futuro, onde entram dois filhos. Um casalinho. Ele é o homem certo, tem tudo para me fazer feliz. Aí quando o André me conhecer feliz, vai perceber aquilo que perdeu. Era a mulher certa, jamais ia precisar de outra para o meu lugar. Tenho pena que já venha tarde. O Diogo é mil vezes melhor. Até tem mais estilo. Não usa os mesmos ténis velhos que o André, nem aquele cachecol cinza com um pequeno fio desalinhado. Vou passear de mãos dadas e beijar na boca em qualquer lugar, sem ter de me esconder do que seja. E não vou pensar no André, esse teve um fim no meu coração. Vou dançar a música que mais gosto, que por acaso é a música que o André mais gosta. Vou dançá-la nos braços do Diogo, porque esse sabe dançar. Agora que acabo de vestir a minha saia preta preferida acabei de me lembrar que o André gostava de a subir sempre que estávamos no carro, enquanto me sentava ao seu colo. De pernas entrelaçadas ao seu corpo. Não interessa. Só vou pensar um bocadinho. Isso não vai fazer mal nenhum. Faz parte do passado, o Diogo é o meu futuro e a pessoa certa. Assim que entrei no carro do Diogo, "cheiras bem", disse-me. Ligou o rádio, tocava a música que mais gosto. Eu olhei pelo vidro embaciado e disse baixinho. André, tu és o único que vou conseguir amar. E seguimos viagem.
"E se eu te pedir para não me deixares? Tu ficas aqui, comigo? Tu abraças-me como sempre? Beijas-me como só tu sabes? E se eu te pedir para não me deixares? Tu olhas-me nos olhos? Tu choras comigo como sempre fizeste? Tu dizes que me amas daquele jeito de ternura intenso? E se não ficares? E se eu pedir e tu fores sem sequer olhar para trás, como eu fiz? Eu aguentarei? E se eu mergulhar no nosso Mundo e nunca mais sair? E se eu precisar de ti? Tu não voltarás? E se a dor for tanta que eu necessite de te ver nem que seja por um segundo? Tu deixas? E se eu precisar de mais uma tarde enrolada em lençóis, com mimos, sorrisos...? Tu dizer-me-ás que não? E se eu precisar de mais umas horas a fazer amor? Mais uns minutos a tocar-te? Mais uns segundos a beijar-te? Tu permites? Permites que eu seja feliz mais um bocadinho? Ou darás essa felicidade a outro homem? Ficarei sem tudo aquilo que construí após o meu Mundo arruinar-se? Irás tu embora da minha vida sem mais uma palavra?"
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